Um ano atípico, porém, o agro vive um bom momento!

Juliana Gracieli Resende de Oliveira

Coordenadora Executiva - Irriganor


O ano de 2020 foi marcado por um evento peculiar e adverso, uma pandemia que assolou e amedrontou o mundo. Seus efeitos e vestígios ainda podem ser sentidos e seguimos na incerteza ainda de quando o homem terá o controle sobre o vírus SARS-CoV-2. O avanço tecnológico mais uma vez provou o valor e importância da ciência. Nossa era está marcada por uma corrida para produção da vacina e finalmente a biotecnologia e pesquisadores ganham destaque e reconhecimento em suas áreas.


Em poucos dias nossas vidas mudaram desde o primeiro anúncio de contaminados pela Covid-19. Achávamos que passaria rápido, mas, se estendeu e ainda perdura além do que imaginávamos em nossa humilde esperança. Enquanto humanos, nossa natureza pede e anseia por ter o controle de tudo e até sobre muitos. A pandemia veio mostrar justamente o quão frágeis nós somos e que não temos o controle de tudo nas mãos. Podemos fazer muito, mas não podemos deter tudo!


A pandemia, sem sombra de dúvidas, trouxe e ainda trará muitos ensinamentos. O primordial deles é que não estávamos preparados para lidar com a mesma. Diversos setores da economia despencaram assombrosamente, muitos vieram a sucumbir e várias incertezas ainda predominam sobre as várias consequências danosas sobre as capacidades produtivas da economia. As projeções do Banco Mundial (2020) indicam que os impactos da pandemia da Covid-19 vão reduzir em 5,2% o crescimento econômico global em 2020.


Com o agronegócio brasileiro também não foi diferente. O setor não estava preparado para lidar com o cenário de pandemia, porém, este foi o valoroso setor de movimentação da economia gerando riquezas e empregos. Em relação aos produtos do agronegócio brasileiro mais exportados, os dados do Ministério da Economia (2020) apresentam crescimento das exportações de algodão em bruto em 43,6%, a carne suína em 51,7%, e gorduras e óleos vegetais em 32,6%, na comparação do acumulado entre janeiro e julho de 2020 com o mesmo período do ano anterior.


Segundo o pesquisador Kreter (2020), quando se analisa isoladamente o desempenho da agricultura e do agronegócio do Brasil os dados mostram uma performance de crescimento, tanto no que se refere ao aumento da produção total quanto ao do PIB setorial. Bastos (2020), corrobora com a percepção de que o Brasil possui um agronegócio competitivo que funciona como instrumento de inserção comercial e ingresso de divisas externas.


Porém, deve-se ressaltar que, como diz a expressão popular “nem tudo são flores” no setor do agronegócio brasileiro. É preciso destacar que existem e sempre existiram gargalos a serem tratados e superados e, que com a pandemia, muitos deles se mostraram mais salientes e delicados e como apenas um exemplo, pode-se citar as dificuldades relacionadas à escoação da produção agrícola, bem como o acesso à sua oferta.


A pandemia revelou maneiras diferentes de se consumir, hábitos alimentares foram alterados e apesar de vários impactos negativos sobre a população menos favorecida, uma lista de exigências consumistas revelou alterações na forma de acessar os alimentos e a procura por alimentos com mais qualidade aumentou.


O ano de 2021 está logo ali e o que está porvir ainda inspira incertezas. Porém, na balança dos lados, positivo e negativo, os produtores rurais têm motivos em abundância para agradecer as conquistas e os excelentes serviços prestados ao Brasil e ao mundo na árdua tarefa de produzir alimentos. Os desafios continuarão em 2021 e um deles é produzir ainda mais com mecanismos voltados para uma agricultura mais sustentável. O momento inspirador para o agro colocou o Brasil ainda mais em evidência aos olhares externos do mundo que irá requerer mais produtos e

maiores produções com exigências ainda maiores. Que as adversidades vivenciadas neste ano sirvam de inspiração para superações e melhorias para o agronegócio brasileiro. Que o bom período possa unir, ainda mais, a classe produtora, promovendo, assim, a valorização da mesma e reconhecimento pelos outros setores da sociedade em geral.


Juliana Gracieli Resende de Oliveira

Coordenadora Executiva - Irriganor


BASTOS, E. K. X. Bole/m de Expecta/vas. Carta de Conjuntura número 48, Terceiro Trimestre de 2020. Ins/tuto de Pesquisa Econômica e Aplicada – IPEA.


KRETER, A. C.; SOUZA JUNIOR, J. R. de C. Economia Agrícola. Carta de Conjuntura número 48, Terceiro Trimestre de 2020.



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